Dizer “Te amo” pode parecer fácil, mas não é tão simples assim. Antes de dizer, é preciso pensar, pesar, ponderar. Para um “Eu te amo” soar sincero, é preciso carinho, liberdade, respeito, enfim, uma série de fatores que regem um relacionamento a dois até se chegar às palavrinhas mágicas.
“Te amo não é bom dia”. Assim disse uma amiga minha esta semana. Ouviu a frase em algum lugar e reproduziu para meia dúzia de amigos. Interessante o impacto desse trecho que me fez refletir sobre algumas coisas. É tão fácil dizer “Eu te amo” hoje em dia. É o que parece. E é justamente essa facilidade que assusta, me deixa com o pé atrás, com uma pulga atrás de cada orelha.
Foram poucas as pessoas que ouviram isso de mim. E não foi por frieza da minha parte. Não tenho dificuldade em expressar sentimentos, mas não costumo falar muito sobre eles. Também tenho um conceito específico sobre o poder dessas palavras. Pai, mãe, irmãos já ouviram de mim a frase mágica. Mas, quando se trata de um relacionamento tipo homem/mulher, tudo muda de figura.
Não sei dizer “Eu te amo” por dizer. A mim, soa estranho falar isso apenas pela força do hábito. É como acordar e dizer “bom dia”, receber o troco na padaria e dizer “obrigada”, encontrar um amigo na rua e perguntar “tudo bem?” sem esperar a resposta. Como chegar numa roda de amigos e cumprimentar com um “boa tarde”, “boa noite” ou mesmo, falar um tchau ao sair de um ambiente. Coisas que dizemos sem pensar, sem esperar por uma resposta.
Falamos “bom dia” não por estar desejando que o dia de alguém seja realmente bom ou para saber se o dia está sendo bom. É assim com a maioria das pessoas que vêm se empenhando em banalizar o sentido de um “te amo” e dizem a frase, simplesmente por dizer.
Das poucas vezes que disse “te amo” a alguém, realmente acreditava na força dessas palavras. Melhor dizendo: acreditava no que sentia. Sem contar com a família, duas pessoas ouviram isso de mim. Nem meu primeiro namorado teve esse privilégio. Engraçado, por mais que gostasse dele, sempre soube que não era amor. Afinal, na adolescência, paixões vêm e vão com a mesma facilidade com que surgiram.
E hoje, tenho consciência de que disse a frase mágica às pessoas certas e sempre em momentos certos.
Um deles conseguiu fazer com que o sentimento permanecesse, só que em forma de amizade. Quando deixamos de ser um casal, conseguimos converter o amor em algo fraternal até chegar ao nível de amizade que temos hoje.
O outro que arrancou um “eu te amo” dos meus lábios deixou marcas tão profundas no peito que, desde então, não ousei mais repetir essas palavras. Um dia, ele foi embora para longe dos meus olhos. E o amor virou saudade até ficar lá atrás, na condição de lembrança.
E foram essas pessoas que, mesmo sem saber, me ensinaram que é preciso um bom motivo para se dizer Eu te amo.
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